sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Uma palavra

Voltei. Voltamos. Pensei em desativar, e por quê? Porque não estou cumprindo com o propósito do blog... Este blog não foi pensado para escrever aqueles textos que vêm na telha, mas tem um sentido... Ou tinha. Mas não posso deixar de escrever. A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original. É de minha alma. Vem de dentro... E fico tão feliz com isso. Emotion. Espero não precisar ficar tão longe novamente... Tão distante. Escreverei quando der, quando quiser, porque quero liberdade. Vamos esquecer os dias contados, e os dias de organização... Vale para nós duas, eu e Lídia. Vamos trabalhar com surpresas, e não com prazos. Eu sigo a liberdade, e escolhi as palavras, e não as contadas e presas. Até o próximo post. 

E que dure o quanto puder, o quanto quiser.


O importante não é como escreve, e sim o que sente quando escreve.


Ninguém nunca sabe quando aquele "até logo" poderá ser, na verdade, um adeus.


P.S. Próximo desejo... Vamos mudar o design deste blog, e já! Aceito auxílio de qualquer alma boa e nobre. E aqui deixo meu convite, -q.

O castigo de amar


E por te amar deveras muito, deixei você ir. E por te amar mais do que a mim mesmo, perdi a chance de te ter. E por te amar tão pura e belamente, desprezei você. Perdi-te por entre meus dedos, quando já te tinha em mãos. Amei-te tanto, mas tão demasiadamente, que pedi que fosse embora. Pedi que arrumasse suas coisas, que guardasse suas pequenas roupas, as dobrasse tão cuidadosamente naquela mala suja e velha que você guarda com tanto carinho. Pedi que se fosse, e que não voltasse. Pedi tantas coisas...! E por que fizeste? Antes mais nada não fizesse, porque queria que fosse mais forte do que eu e ficasse. Antes mais nada guardasse a mim, levasse a mim ao invés da mala suja e velha...! Por ser tão inocente, tão simples e infantil, absorveu minhas palavras como absorve o oxigênio. Voltará a mim? Espero que volte... Já te tinha, mas deixei-te ir. Não fui atrás, e observei suas lágrimas com dor. Mas, impassível, deixei você ir. Deixei que levasse suas meias sujas, seus livros antigos e cheios de mofo, seus móveis sem-graça, suas bugigangas que tanto cuida. Deixei ainda que esquecesse seus óculos de aro fino, aqueles da cor dos teus olhos, aqueles, tão fino quanto você. Pelo menos isso guardarei... Não voltarás, já sei disso. Amo-te tanto que não sou capaz de ir atrás de você, pedir para que volte. Amo-te tal como as estrelas estão no céu, com a certeza de um gavião ao encontrar sua presa. Amo-te, e por isso sei que não podes estar comigo... Porque eu não sou. Sou o que não deveria ser. E prefiro o sofrer comigo mesmo a que com você. Meu sofrer é mínimo, e minha dor, incapaz. Tola, podre... Levo-a comigo, e me orgulho disso! Por que não levar você? Por que não aceitar seu amor tão grande e ingênuo, e ser egoísta de tal forma a guarda-te só para mim? Inócua criatura, pura e imaculada criança, não chores por mim... Peço que vá. Vá de vez. Sabe como dói rejeitar todas as suas ligações? Sabe como dói olhar aqueles seus óculos em minha cabeceira e lembrar de cada olhar furtivo seu? Como faz meu peito tremer ao lembrar da cor dos seus olhos, ou do sabor dos teus lábios de mel? Teu seio virginal antes fosse minha maior lembrança...! Quiçá escolhesse tua casta inocência de menina para recordar ao invés dessas traços detalhes com matizes de branco puro, esse esboço distinto e forjo, um teço de traças deveras, porque muito enlaça e aflige, porque só tu és a dona do olhos brilhantes, do que fascina e atrai pelo simples e ordinário. Porque és ordinária, tu, mulher. Ordinária porque és simples! Simples ao olhar, simples ao se apaixonar. Porque é essa tua espontaneidade que simplesmente maquina, esta que planeja a derrota de minha astúcia. Sinto sua falta, sim. Sinto sua falta mais que a mim mesmo. Esquecesse eu a minha identidade, e todo resquício de um individual que ainda existe, fosse meu ser um vegetal, um animal, um qualquer, um repetente, um esquecido da memória. Um indigente, antes mais! Ah, quiçá, sonho e devaneio nesta quimera. Fantasio, imagino, é a utopia de te ter como paixão. Levaste a mim, e amo você por não poder me aceitar. Por não ser completo, e por precisar de você mais do que a mim. Por querer você ao meu lado. Por querer te ter, incessante, curiosa, simples, deverasmente. Por tremer meu coração como um garoto nervoso pensando em seu primeiro amor. Por me tornar criança, quando eu queria ser adulto, e corajoso para te ter. E sabe o que percebo? Que eu amo você, sim. Mas deixei-te ir... E não foi pelo amor. Mas amo menos... Amo menos porque meu medo é maior. O pavor de deixar de ser eu para tentar ser você. A aversão de esquecer a mim, para dar lugar a você. O pânico em poder te ter e ser, e ser feliz com você, por você. É fraqueza, covardia, temor... Chame do que acredita ser. O egoísmo do egocentrismo. Ame mais a quem te amar como deve. Como você deve ter por mérito. Desmereço e faço jus ao covarde. Porque penso, deixei-te ir. E porque amo, tenho teu remorso, e o guardo como meu. Suas lembranças em minha mente, claras como meu medo e covardia. Amo. Amo como pude, amo como desejava, mas renuncio. Renuncio a mim, porque a outro não pude. Amar por amar, e enfim deixar, e esvaziar, esquecer. Amar? Amar como posso, enquanto a fragilidade não me dispersa. Vás-te, e com demora. Já sinto teu caloroso abraço em mim. Vás-te de minha mente, do meu pensar! Porque a felicidade é meu castigo... E por isso a deixo ir. Meu adeus.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Carta para a Lua.


Ei, Lua, Poderia me fazer companhia por um tempo? 
Ei, Lua, poderia responder o porquê dos outros viverem? Seria apenas para depois morrerem? Por que para trás deixam aqueles que mais os querem? Por que a vida tem que ser tão delicada, tão frágil, tão fácil de ser levada? Estive um tanto próxima da Morte ultimamente, mas acredito que ela não tenha gostado muito de mim, ou talvez apenas exerça seu trabalho com profissionalismo... Talvez a Morte seja apenas uma gatuna obcecada. Sinto que provavelmente seja compulsiva. Mas há a possibilidade dela ser apenas uma vítima de uma ordem superior. Caso eu esteja errada em julgá-la assim, perdoe-me, por favor. De forma alguma quero que a Morte seja culpada por tal crime se esta for inocente. Pois, de alguma forma, sinto, com grande pesar, uma imensa vontade de condenar aquele que impôs meu sofrimento.
Ei, Lua, por que não levar a mim? 
Ei, Lua, por acaso achas que não sou boa o suficiente para ser levada pela Morte? Achas que ela leva apenas àqueles que mais são preciosos? Somente os mais puros? Ou será que de alguma forma eu sou apenas mais uma que conseguiu atrair a fúria desta e agora recebo dela sua vingança? 
Ei, Lua, minha amiga, tenho medo. 

Ei, Lua, se, de alguma forma, perder você também? Pode a Morte levá-la? 

Ei, Lua... Talvez não seja assim tão ruim. Talvez ela volte para me buscar também. Ela veio pelo meu amigo. Talvez ela esteja apenas levando-o para um lugar melhor. Ainda que eu custe a acreditar, por ser que haja uma recompensa maior lá, no Além. Sinto um frio no estômago. Talvez ela esteja voltando novamente. 
Ei, Lua, acho que já a vejo. Ou talvez seja apenas um breve presente de minha ansiedade. Sinto falta dele. Mas pensar que a Morte possa levar a mim também não me assusta. Se lá, do outro lado, for ensolarado e forrado com o mais verde dos campos, eu ficarei feliz em acompanhar aquele que me foi roubado numa nova aventura. Caso for frio, escuro e solitário, eu o abraçarei, e não deixarei que ele se sinta só. Manterei-o aquecido com o meu calor, trarei sua felicidade com minhas palavras e direi o quanto senti sua falta. Talvez assim o escuro tenha um pouco de luz. Porém aqui é escuro e, enquanto não chegar lá, não gastarei essa última vela. Eu a guardarei em meu casaco para trazer a ele este brilho. 

Ei, Lua, torça por mim. Logo irei ao encontro dele. Espero que você receba esta carta em segurança. Sentirei saudades, mas devo partir.
                         Obrigada por me fazer companhia enquanto ele esteve longe.
                                       Amor
                                                Amanda.