domingo, 28 de abril de 2013

Raios de sol sinceros



Meu verdadeiro raio de sol... Luz que me acorda às manhãs, oh, como queria que fosse diária! Uma rotina com ele. Emite um brilho fraco no próprio crepúsculo ou raiar do dia, mas um brilho que colore minha vida, que aquece meu corpo, meu ser. Como queriam que fossem momentos eternos! São tão únicos, tão espontâneos, tão verdadeiros... Minha razão, minha realidade, meu sol. Seus raios esplêndidos tocam-me sutilmente, e antes a prisão que eu poderia estar, alforria se tornou sem nem ao menos perceber. E se for prisão como temia? Mas não temo, não me incomodo. Gosto de estar presa a ele, sentir saudade dos seus lábios, do seu corpo junto ao meu, de suas mãos furtivas, do seu sorriso único, dos seus olhos brincantes, dele em si. Tão lindo... Faz-me explodir em sensações ao mais simples toque, em um roçar de mãos. Não tenho medo de confiar nele, de ser verdadeira e espontânea. Muda meus conceitos, muda-me, transforma-me, faz-me gostar e desejar o que antes me enojava. Desperta-me sentimentos nunca vistos; novos. Costumava não aceitá-los, rejeitá-los com todas as minhas forças, mas, cansada de lutar com algo que parece ser mais forte do que eu, os aceitei em mim, os abracei em meus novos suspiros, em minhas novas reações, em meus novos sorrisos, em minhas novas palavras, em meus novos pensamentos e em minha nova saudade. Não é apenas o fogo, a volúpia que vicia-me tanto, que me enlaça e seduz à perdição das blasfêmias. É mais que isso... Muito mais. É um brilho que conforta, uma felicidade única, uma paixão que desatina, uma paz que vem não sei de onde... Realização em emoções e sensações por ele. Não sou mais eu, somos eu e ele. Não são apenas meus sentimentos, são os meus e os dele. Tenho horror de perder isso, perder o que construo com tanto cuidado. Perder por um erro meu, por um simples descuido. Pôr tudo a perder, decepcioná-lo, machucá-lo com meus defeitos, com minhas torpes e pobres palavras. Quero-o de todas as formas e jeitos, os possíveis e os impossíveis. O para sempre é suficiente para o que temos? E se não for? Simplesmente atravessarei o horizonte com ele, criarei o eterno. O primeiro? Sim, o primeiro e o único. O que levarei comigo pela vida inteira... Em meu ser, em meu coração. No meu eu, pois já faz parte de mim. Meu raio de sol, minha canção de ninar, meu alento no relento. Nada pode conseguir mudar o que fica, o que já está. Amor que colore, que irradia. O sol que brilha em meu ser.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Câncer


É simples como um parasita que se instala em sua vida. Começa com coisas pequenas, simples. Porém, num piscar de olhos, você se dá conta que ele já tomou toda sua vida.
Apesar de parecer trágico, isso tem acontecido muito em várias casas no mundo. Acontece na minha. Minha mãe apreciava o intruso, sentia-se feliz. A felicidade dela não me incomodava; o motivo dela, sim. Aquela coisa deveria estar acabando com sua capacidade de pensar. É sabido que a felicidade é diretamente proporcional à tolice. Ao que parecia, todos na casa estavam no estágio máximo da felicidade.
A casa era contaminada. Era possível perceber os rastros deixados por aquele parasita em meu lar. Seu cheiro me enojava, seus ruídos rasgavam meus ouvidos, sua visão me causava arrepios. Podia percebê-lo se alojando em nossas vidas como um câncer, espalhando-se em minha casa, acomodando-se. Eu bem sabia que ele não iria embora. Lá, em nossas vidas, ele estaria até no nosso último sopro de vida.
Ah, como meu último desejo, gostaria de livrar-me dele antes. Ele não presenciaria nossa morte. Não veria nosso desespero. Mas... Pensando bem, eu não poderia estar mais errado. Mamãe não abriria mão da felicidade para sustentar a razão e tomar uma atitude sensata.
Sou tão tolo quanto ela. Não abriria mão de sua felicidade mesmo que isso significasse minha lenta morte, a morte dela, e de toda a casa. Talvez, eu simplesmente não tivesse coragem de tomar a vida de seu bebê.



domingo, 21 de abril de 2013

O prazer do esquecimento


Caminhar no horizonte por você... Esquecer as coisas que para trás ficam. Renascer com você, para você. Rebeijar, recriar, reviver. Novos beijos de um velho amor. Olhar novamente para o que já tive e tê-lo de volta. E quem disse que eu queria esquecer? Lembranças tão boas, tão vívidas! Viver nas recordações como se fossem reais. Como se eu pudesse criar a realidade. A minha própria para ter você de volta em meus braços. Mas você se foi... Foi-se na penumbra da noite. Foi-se sem mim. "Viver o mundo como ele é". Fui dependente. Sou dependente. Mas você preferiu ir sem mim. Eu quero viver com você. Juntos. Por que não juntos? Eu entreguei-me a você. Completamente. Eu pensei que lhe tinha em mãos. Tinha-lhe em mim, dentro de mim. Bebia meu néctar e o transformava em mel... Doce, tão doce...! Brasa pura que aquece. Aquece o meu coração; a paixão que brota dos meios meus... Cresça, paixão, crie raízes! Torne-se única, seja irracional e não veja as consequências. Fecho meus olhos e te tenho em mim; breves sensações, tão breves... Carne leitosa, a primazia do prazer. Eu não quero esquecer, não pude esquecer. Por que esquecer? Criar momentos eternos... A eternidade à nossa disposição. Posso enxergar isso. O sentimento novamente, não apenas a necessidade. Sentir-te no meu peito, a volúpia a nos sussurrar blasfêmias. Entregue-se ao desejo, apenas escolha-o.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Alma Escarlate

Tudo tão vermelho. O chão era vermelho, havia respingos escarlates nas paredes, podia ser sentido o cheiro  deste no ar. Um fato engraçado sobre o meu corpo é que, ao ver o corpo do homem que eu havia perseguido perseguido por tanto tempo, morto, não pude mover-me. Apenas movimentos involuntários como tremedeira e lágrimas que desciam sem serem chamadas. Não entendi o porquê.Eu não o amava. Apenas o perseguia por apreciar sua vida. Seu cotidiano me encantava. Seu trabalho me fascinava. Suas expressões me interessavam. Seus olhos esbugalhavam quando ele se assustava, seus olhos adquiriam traços suaves quando ele parava para brincar com algum animal na rua, sua expressão endurecia quando precisava se comunicar-se com uma pessoa.
Lembro-me especialmente daquela noite, quando andava ao seu lado, quando podia sentir o seu cheiro, podia sentir o seu calor mesmo na frieza do luar, podia ver cada fio negro do seu cabelo que caia de forma elegante até seus ombros. Estava tão perto que ouvia sua respiração. Quis tocá-lo. Ainda o quero. mas sei que não posso. Agora não posso me mover. Este corpo se encontra trêmulo, frágil. Algum ponto em meu tórax dói, arde como nunca antes, como quando eu sofria com asma. Aquela sensação de ter os pulmões sendo expulsos como um corpo estranho, do coração sendo esmagado por uma mão invisível tentando esmagá-lo e espalhar seu sangue. Não podia senti-lo bater, mas isso não o sentia há muito tempo. A diferença é que quando o via, vivo, sentia como se ele ainda estivesse lá, trabalhando como sempre costumava fazer. eu desejava senti-lo novamente.
Se ao menos tivesse tentado conversar com ele. Se ele tivesse me notado, se ele pelo menos, ao menos uma vez, soubesse quem eu era. Talvez, se eu tivesse tido a oportunidade de conversar com ele, ele não o tivesse feito. Talvez ele não tivesse desistido da vida. Ah, se ao menos ele pudesse me ver, perceber minha presença. Tinha sido ele a me chamar, certo? Era responsabilidade dele, e não minha, perceber-me, certo? SE ele foi até o meu túmulo chorar pela minha morte, ele podia pelo menos ter segurado a vida e procurar por mim. Se pronunciara aquelas palavras era porque tinha a esperança que eu voltaria, não? Por que desistir da sua vida? Por que obrigou-me a passar por aquilo que ele passara? Por que fizera eu assistir a tudo?
Talvez eu tivesse errada, ao final de contas. Talvez eu o amasse. Foi uma pena ter percebido isso só depois de nossa morte.

domingo, 14 de abril de 2013

Azedo defeito



Relata meu drama, meu temor de perdê-lo. De antemão seduz à perdição. Desperta antes que o sol nasça, de pé ante pé deixa-me, abandona-me à minha própria solidão. E, de lábios cheios e modestos, gaba-se por suas inúmeras conquistas e paixões. Convencido de seu poder de brasas, aproveita-se de sua formosura. Com apenas um olhar me prende e tem-me em mãos. Sou dele e estou presa por ele e para ele. O ele... Enlaça-me com suas mãos voluptuosas e fortes sem piedade. E ele relata o meu medo de não poder tê-lo mais em mim, ri disso. Ri do meu medo. O medo de não poder mais gritar de amores por ele. À noite vem, no dia vai, às vezes não vem e deixa-me só com minhas aflições. Só dentro de mim mesma. Sozinha. Sozinha mas com ele. Ele vem quando pede, quando pretende.

domingo, 7 de abril de 2013

Um caminho até você


Caminhos a seguir, a se transpor. Pensar além do conhecido bem e mal e poder escolher com o coração. Construir estradas, traçar destinos. Escolher você se torna errado? É afinal uma má escolha? O mundo continua a girar, o tempo passou mas eu ainda amo você tanto quanto antes... E você nem imagina, é descrente da existência da minha sensibilidade, diz que não sou capaz de amar e que tudo que faço é fingir e mentir. E pensar que na verdade eu escolhi fingir por não ter coragem de escolher seu amor... Não ter tido coragem e palavras suficientes para retribuir o seu antigo "eu te amo mais que tudo". E não pude falar, não pude expressar. Tantas vezes calado fiquei e por medo não fiz, não disse, não expliquei. E os seus olhos carinhosos me questionavam, aquelas pequenas jabuticabas gostariam de entender o que se passava em mim. Tão tristes admitiam que o seu amor não era retribuído, por isso quiseram desistir.