terça-feira, 25 de junho de 2013

Reflexo da Vida

A ideia era simples. Ela deveria encher a bacia com água. água limpa. Normal. Simples. Era dia vinte e quatro de junho. Os tradicionais da sua rua pulavam fogueiras em seus quintais. Já Isolda tinha algo diferente a fazer. Algo simples que suas amigas e ela decidiram fazer. Poderia ser chamado de teste de coragem. Apesar de ser apenas uma bacia prateada com água dentro. Para alguém não supersticioso, A jovem estava bem nervosa. Deixou o secador ao seu lado e, mesmo com o cabelo arrumado pela metade, aproximou-se do recipiente. Suas mãos suaram em volta da bacia e seus olhos se recusavam a abrir. "São João está dormindo, não me ouve não. Acordai, acordai, acordai, João." cantavam as crianças na rua. Era um som alegre. Encorajador. A música agitada apenas incentivava seu estomago a se contorcer e se enroscar em suas entranhas. É claro que era apenas uma provaçãozinha... Mas... Céus! De onde vêm as lendas? Como uma boa estudante de história, Isolda sabia que mitos não vinham sem fundamentos. "se você beber leite depois de comer manga, terá dor no estômago", isso era para que os antigos trabalhadores rurais brasileiros, que, por haver mangueiras em abundancia, deliciavam-se com esse saboroso fruto, não bebessem o leite das fazendas, os donos de terra criaram essa história. Bem... Vendo por esse lado... Poderia ser um simples mal entendido. Talvez tivesse existido uma mulher muito feia que tentou suicídio após ver sua própria imagem refletida na água da bacia. Espere um minuto, segundo o que havia sido contado: "se você ver o seu reflexo, você estará vivo nesse mesmo dia do próximo ano. Caso contrário...". Bem, a história poderia ser de uma bela donzela que apreciava demais sua própria aparência, então quando não pôde ver seu reflexo, ficou tão chocada que acabou por se matar.Poxa! Haviam várias explicações! "Atirei rosas pelo caminho. A ventania veio e levou. Tu me fizeste com seus espinhos uma coroa de flor." Cantavam os vizinhos. Sim, não havia motivos para se assustar. Isolda respirou fundo e abriu os olhos. Mirando ela, do fundo da bacia, havia um rosto pálido e magro. Uma donzela muito bela a encarava. A jovem estudante sentiu um aperto no coração. Com seus oitenta e cinco quilos, jamais poderia ser a dona de tão magras feições e olhos tão avermelhados. Na fração de segundos que Isolda pôde encarar a moça do fundo da bacia, ela percebeu que seus cabelos molhados boiavam e se embaraçavam na água. Aquele rosto não era apenas uma imagem, era material. Como reflexo, a jovem estudante universitária jogou-se contra a parede para se afastar da bacia e a chutou com o pé. A água derramou. Para alívio dela, apenas água, nada mais havia dentro da bacia. Isolda pôde respirar recuperada de seu susto, imaginando como suas amigas haviam preparado essa peça com ela - bem que a pessoa era bem parecida com Melissa! - por algum minutos enquanto ligava o secador para continuar a arrumar os cabelos, até que escorregou e, deixando cair o secador de sua mão, não pôde viver até o dia vinte e quatro de junho do ano seguinte.


domingo, 16 de junho de 2013

Anel de dever


Círculo estúpido. Circunferência sem fim, a representação da fidelidade. Aquela que me lembra dos deveres, das responsabilidades. Admiro a aliança dourada, que antes me extasiava por sua beleza, seu esplendor glamouroso. Trocamos cedo estes anéis, e a responsabilidade me corroía desde aquele tempo. Mas era sutil. Sentia o fulgor do amor em mim, vi-me nele e confiei nele o meu coração. Arrependimento? Não, culpa. A dor da culpa. Eu sinto muito, meu amor. Perdão por minha culpa, por minha loucura. Casamo-nos, nos descobrimos e nos enlouquecemos. Perdi o ar por ele, e o ganhava de volta a cada suspiro. Oh, que bons tempos... O início de tudo. A paixão nua me envolvendo, corroendo meu corpo e transformando-o em brasas puras. Ela me possuindo, me dando prazer, desejos esculpidos no corpo dele. Descobri-me nele... Pude compartilhar essas sensações incríveis. Extasiava-me nos seus carinhos, no seu toque profundo. Infeliz amor, discórdia da paixão... Eu confiei nesses tolos sentimentos. Pensei saber e entender o que sentia. Bastou-me vê-lo, e sim, reencontrá-lo. Estava no passado sujo e intocado, esquecido. Apertei minhas mãos nas do meu marido, e pedia silenciosamente o seu alento e acalanto. Pedia pela fuga dali, ansiava por ela. Bastou-me vê-lo, rever aqueles olhos, oh, sim, aqueles olhos voluptuosos, fanfarrões e brincantes. Olhou-me de cima a baixo, despia-me com aquelas negras órbitas. E eu ouvi dos seus lábios aquela voz rouca e sombria, elogiando que o tempo não me fez diferença. Ele pôde enxergar minha alma aflita, que reacendeu-se pela sua voz. Viu-me impura na pureza do meu bege encorpado com seus muitos detalhes. Ele viu-me, e pareceram anos aquele frisson que me paralisou.

Necessidade de organização


Ufa... Há quantas semanas estou longe? Apenas uma palavra: Perdão. Bem, odeio ter de deixar as coisas assim pela metade, coisas a fazer. Os afazeres me torturam a cada segundo, e por mais que eu tente esquecê-los de todas as formas, fica um pontinho lá na consciência me avisando dos deveres dos quais não fiz ainda... E ainda tem as vezes das quais me esqueço. De qualquer forma, estas não contam. Foram semanas complicadas, cheias, cansadas. Dias e noites cinzas sem as palavras reconfortantes. Tenho me dedicado a certas histórias em particular, e depois vos falarei com toda minha educação polida os contos aos quais estou me dando ao luxo de criar. Ao todo, tenho três bem malfeitos, e nem sei se posso considerá-los contos. São apenas histórias em que eu pude pensar e criar. Estão inacabadas de qualquer forma. Há toda aquela ânsia inicial de terminar, toda aquela euforia de escrever capítulos e mais capítulos, mas aí chegam meus terríveis afazeres de Ifsofredora... É melancólico deferir tais palavras. Não tenho sido muito organizada, e as pendências de matérias ousam-me perseguir, e tenho de cuidar delas para que não causem alguma repetência, -q. Mas seis meses inteiros sem estudo...! Minha nossa, seria um excelente descanso seis meses interinhos de preguiça e vãs quereres. (Já que se passam seis meses sem ir pra escola esperando o próximo módulo, no caso ano, chegar, para que se possa repetir de ano, porque toda a organização destes tais exibidos Institutos Federais é ministrada em módulos, períodos de seis meses; logo uma repetência faria o tal aluno reprovado ficar seis meses sem estudar esperando a turma anterior ao ano que ele deveria estar começar um ano novo para este aluno juntar-se aos seus mais novos colegas. Complicado de entender? Espero que não). Mas não posso me dar o luxo. O descanso final virá com a morte, e não a espero ansiosamente porque amo esta vida a qual me enlaço a cada dia com mais deveres, sonhos e prazeres. E claro, com as tristezas e aborrecimentos casuais. Normal, a vida a bater na porta. Viver essa vida, absorvê-la, aspirá-la com todas as minhas forças. Posso abraçá-la com tudo o que posso ter para deixá-la comigo, porque gosto dela. A vida é uma coisa engraçada, e vivo a cada dia com ela para saber o que ela pode me reservar a cada dia. Sempre uma caixinha de surpresas esta danada. Fazendo-me fugir da rotina, arranjando-me coisas as quais nem me imagino nelas às vezes... Todos acasos do destino da vida. Bem, voltando aos meus deveres demasiadamente cansativos (mas interessantes, porque os amo por deixarem-me bem ativa, já que não suporto a altivez da inércia. Gosto dos afazeres porque me fazem sentir viva, e sempre procuro mais para mim por isso. Fatos da vida desinteressantes que não fazem sentido nenhum você aí lê-los com tanto afinco por serem MEUS fatos de vida desligados de sua existência, caro leitor. Mas bem, deixemos para lá. Continuemos), fui, no final do mês passado e voltando no início deste mês, a um espetáculo estudantil chamado CONUNE. Para quem não sabe, não me conhece ou mal sabe que eu, Allanis Dimitria Pedrosa, existo, há uma certa característica em mim que ousa lutar. Gosto de política e enrolo-me nela como nas palavras. Gosto da sociedade e em tudo que a cerca. Suas vertentes, seus problemas, seus atos e “desatos”. A política em prática, desmiuçada pelo povo que questiona e implica com o tal Estado. O CONUNE, o congresso que acontece a cada dois anos para a escolha da nova gestão da UNE (União Nacional dos Estudantes), e apresentação de temas para serem debatidos pelos próprios estudantes, reunindo-os em um só lugar, com toda a maconha exalada para lhes mostrar, ó, sociedade, os dilemas os quais são dispostos a todo o povo e que este mesmo fecha os olhos para não ver os tais problemas. Por mais que existam muitos acomodados que vão para o congresso, em Goiânia, pelo simples ato de fumar, se acabar e dar a desculpa de estar aproveitando a vida como jovem em evolução (ou seria retrocesso?), há uns remanescentes que lutam pelo movimento estudantil, e não se conformam com este Brasil desse jeito, que finge ter dado conta de todos os problemas escondendo a sujeira debaixo do tapete. Enfim, não falaremos de movimento estudantil neste... Como é o nome mesmo...? Nesta postagem. Desculpe o esquecimento. Só gostaria de dizer o que tem acontecido nestes dias. Estou sendo muito extensa... Vou tentar resumir. Enfim. Muitos afazeres, trabalhos de vídeo que na verdade deveriam ser chamados de filme, viagens de congresso com quase 3 dias na estrada com um ar frio e melancólico de um ônibus chique do IF, relatórios extensos os quais comprovam que faço curso técnico em Química, e não só um Médio desastroso... Deveres. Deveres os quais me orgulho em cumpri-los, mesmo que às vezes nas cochas. Mas estava com saudade de escrever... Contos não são a mesma coisa. Falar por aqui até que é reconfortante, menos solitário... (Tá, até parece que alguém está lendo essas ridículas palavras confusas de uma debilitada estudante que para a cada segundo este texto só para pensar na pesquisa de Espanhol que deveria estar fazendo agora. Desculpe de novo, e.e.). Bem, é isso. Deixo-vos um pequeno texto ainda hoje, creio eu, e é de tema conflituoso... Amores que voltam à tona. Só um passado que volta a ser remexido. Apenas uma história, meus caros. Espero que gostem. Mesmo não os conhecendo, gosto de vós profundamente por lerem estas pobres palavras militantes que anseiam pela leitura de si mesmas. Espero não deixar-vos tão órfãos novamente de meus textos infelizes. Tentarei organizar-me mais e postar nos domingos com a pontualidade de costume. Despedidas pessoais e ocasionais a cada um. Podem traduzi-las como abraços calorosos e beijos tímidos no rosto. Ah, e acompanhadas de um “muito obrigada por lerem este blog perdido pela web”. Até mais.